06 abril 2006

Amanhã é hoje

Sinto as horas com penitência,

Na madrugada que vi começar

E que se despenha sem clemência.

Comigo.

Sinto as horas com penitência,

Porque não se deixam abrandar

Esmagam-me contra o amanhã.

Mais e mais.

Quero ficar aqui para sempre.

Agora!

Não quero mais lutar,

Olhar, andar em frente…

Cobarde!

Cubram-me para sempre com a noite.

Atem-me a esta hora.

Amanhã,

Ela não estará lá.

Amanhã é hoje.

E cada novo dia,

É uma velha história,

Da mesma apatia

Da mesma inglória.

São três as horas.

E já muito o sono do corpo.

Nenhum o da mente,

Que há muito nem desperta.

E depois acordo.

E vivo,

E converso,

E brinco,

E passeio,

E trabalho,

E leio

E como.

E, nos intervalos,

Ainda tenho de ser feliz.

07 dezembro 2005

The Godfather III

Vicenzo Corleone (by Andy Garcia) to Mary Corleone (by Sofia Copola):


- Love somebody else.

21 novembro 2005

The Godfather, part II (1974)

Kay Corleone (Diane Keaton), talking to Michael Corleone (Al PAcino):

At this moment I fell no love for you at all - I never thought that would happen - but it has.

19 novembro 2005

Ela

Na estrada ela caminha

Por entre o alcatrão preto

Que a vida ali deixou

Que até a morte já pisou.

Sem destino e sem pressa

Sem companhia, sem mapa

Leva o cabelo negro,

Leva o olhar que não desgruda.

A força deixou-a para trás.

A vida enterrou-a há muito.

Caminha por caminhar

Mas ainda sente cada passo

Ainda geme sob o sol demasiado quente.

Sofre.

Porque assim escolheu,

Porque quis ir mais além,

Porque não seguiu as setas,

Porque não desistiu.

Chegará um dia,

Em que ela não caminhará mais.

Chegará a hora em que

O caminho seguirá só.

E nem nesse dia,

Ele saberá

Onde a levar.

E da carne nascerá pó.

E das vestes - o varrerão.

O vento o espalhará.

E ela já não mais irá.

Estará dispersa.

Estará aqui.

10 novembro 2005

Lunni


Numa noite de praia

Num oceano deserto

Um olhar de mulher

Um ímpeto de audácia

Palavras que se não dizem

Ideias que se conjugam

Corações que batem

E rebatem, batem, batem.

Entre certezas de sempre

Naquele encontro acidental

Marcado e destinado

Que desde sempre nos esperou

Como um dia de agenda

O fim depois do princípio

Como a fome e a sede

Como agora depois de agora.

E as minhas mãos te tocaram

Texturas se esfregaram,

Cheirei teu cheiro

Beijei teus beijos

Lambi tua língua

E senti o que tu sentiste

Na fulgência daquele instante

Ínfimo momento,

(Sem tempo)

Gravado eternamente

Em duas memórias

Fugazes.

Onde estás que te não repetes?

Que te não oiço o batimento?

Que não me escutas suspirar?

Que não me amparas os beijos?...

Beijos…

09 novembro 2005

Hoje

Transporto dentro de mim a certeza,
Do amanhã errante que me fita
Numa esquina de uma rua que desconheço,
Mas que sei, sinto e choro ser a minha.
Vi nas estrelas um destino de felicidade,
Crismou-mo a boa fada com que nasci,
Li nas cartas, ouvi o vento e sei,
Seguro como estou do verso que se segue.