27 maio 2006
06 abril 2006
Amanhã é hoje
Sinto as horas com penitência,
Na madrugada que vi começar
E que se despenha sem clemência.
Comigo.
Sinto as horas com penitência,
Porque não se deixam abrandar
Esmagam-me contra o amanhã.
Mais e mais.
Quero ficar aqui para sempre.
Agora!
Não quero mais lutar,
Olhar, andar em frente…
Cobarde!
Cubram-me para sempre com a noite.
Atem-me a esta hora.
Amanhã,
Ela não estará lá.
Amanhã é hoje.
E cada novo dia,
É uma velha história,
Da mesma apatia
Da mesma inglória.
São três as horas.
E já muito o sono do corpo.
Nenhum o da mente,
Que há muito nem desperta.
E depois acordo.
E vivo,
E converso,
E brinco,
E passeio,
E trabalho,
E leio
E como.
E, nos intervalos,
Ainda tenho de ser feliz.
07 dezembro 2005
The Godfather III
- Love somebody else.
21 novembro 2005
The Godfather, part II (1974)
Kay Corleone (Diane Keaton), talking to Michael Corleone (Al PAcino):
At this moment I fell no love for you at all - I never thought that would happen - but it has.
19 novembro 2005
Ela
Na estrada ela caminha
Por entre o alcatrão preto
Que a vida ali deixou
Que até a morte já pisou.
Sem destino e sem pressa
Sem companhia, sem mapa
Leva o cabelo negro,
Leva o olhar que não desgruda.
A força deixou-a para trás.
A vida enterrou-a há muito.
Caminha por caminhar
Mas ainda sente cada passo
Ainda geme sob o sol demasiado quente.
Sofre.
Porque assim escolheu,
Porque quis ir mais além,
Porque não seguiu as setas,
Porque não desistiu.
Chegará um dia,
Em que ela não caminhará mais.
Chegará a hora em que
O caminho seguirá só.
E nem nesse dia,
Ele saberá
Onde a levar.
E da carne nascerá pó.
E das vestes - o varrerão.
O vento o espalhará.
E ela já não mais irá.
Estará dispersa.
Estará aqui.
10 novembro 2005
Lunni
Numa noite de praia
Num oceano deserto
Um olhar de mulher
Um ímpeto de audácia
Palavras que se não dizem
Ideias que se conjugam
Corações que batem
E rebatem, batem, batem.
Entre certezas de sempre
Naquele encontro acidental
Marcado e destinado
Que desde sempre nos esperou
Como um dia de agenda
O fim depois do princípio
Como a fome e a sede
Como agora depois de agora.
E as minhas mãos te tocaram
Texturas se esfregaram,
Cheirei teu cheiro
Beijei teus beijos
Lambi tua língua
E senti o que tu sentiste
Na fulgência daquele instante
Ínfimo momento,
(Sem tempo)
Gravado eternamente
Em duas memórias
Fugazes.
Onde estás que te não repetes?
Que te não oiço o batimento?
Que não me escutas suspirar?
Que não me amparas os beijos?...
Beijos…
09 novembro 2005
Hoje
Do amanhã errante que me fita
Numa esquina de uma rua que desconheço,
Mas que sei, sinto e choro ser a minha.
Vi nas estrelas um destino de felicidade,
Crismou-mo a boa fada com que nasci,
Li nas cartas, ouvi o vento e sei,
Seguro como estou do verso que se segue.