06 abril 2006

Amanhã é hoje

Sinto as horas com penitência,

Na madrugada que vi começar

E que se despenha sem clemência.

Comigo.

Sinto as horas com penitência,

Porque não se deixam abrandar

Esmagam-me contra o amanhã.

Mais e mais.

Quero ficar aqui para sempre.

Agora!

Não quero mais lutar,

Olhar, andar em frente…

Cobarde!

Cubram-me para sempre com a noite.

Atem-me a esta hora.

Amanhã,

Ela não estará lá.

Amanhã é hoje.

E cada novo dia,

É uma velha história,

Da mesma apatia

Da mesma inglória.

São três as horas.

E já muito o sono do corpo.

Nenhum o da mente,

Que há muito nem desperta.

E depois acordo.

E vivo,

E converso,

E brinco,

E passeio,

E trabalho,

E leio

E como.

E, nos intervalos,

Ainda tenho de ser feliz.