29 dezembro 2009

Porque um poema também sofre

Quando no peito, uma dor amarga devagarinho,
Qual azia de corações vomitados… não fossem apenas um.
E desmente as rimas metrificadas com despeito.
Sem respeito; Sim… Sem respeito.
E quer gritar, mas as linhas nem tremem,
E quer fugir, mas as letras tão-só jazem.
Ao sentir nas narinas o apaziguador odor da cicuta,
Lança-se, desprende-se, deixa-se levar na torrente das palavras,
Rosto abaixo, pintalgado de sal sofrido e sulfuroso.
É nesses momentos,
em que o lábio treme e o olho brilha,
em que sentimos o que eu escrevi,
que o poema é nosso.
Porque partilhamos a sua dor.

26 dezembro 2009

Da égide do encantamento

Numa destas últimas tardes – contando entre as vividas, apenas as sentidas – assisti, no meu costumado e nunca acostumado pôr-do-sol, a uma cor de estreia – ou à estreia de uma cor, se vos for mais conveniente.

Era vermelho.

Mas não era um vermelho “Coucher du soleil” (de marca francesa, como qualquer lápis de cor deve ser). Era diferente e único. Queria comunicar sentimentos e transmitir emoções. Não era apoiado e distante. Nem alaranjado e fugente. Não tinha as belas características sempre inenarráveis, nem as qualidades que as palavras apenas invejam a descrever – e que deslumbram os fins de tarde dos privilegiados.

Era um vermelho translúcido. Como se depois de morder o anzol, tivessem mandado pintar o céu em tons de aguarela, e a luz naquelas nuvens de arte, se houvera transfigurado em artífice vitralista.

Era um vermelho vitral. E fez-me sentir que estava na falésia do conhecimento, um passo além…

24 dezembro 2009

Pub natalícia

O já aqui recomendado www.wrongcards.com deixa a todos os leitores e stalkers do Nandissimamemnte o costumado Postal de Natal.

a christmas exegesis

Boas festas!!! ;-)

14 outubro 2009

Uma manhã já antiga

Um destes dias,
Acordei numa manhã já antiga.
Anos atrás, tempos passado,
Um outro diferente do que sou,
Por muito menos vida sentida.

Nesse dia ainda não te conhecia.
Ainda não sabia o gosto
do teu sorriso tímido de catraia,
nem como fechas os olhos com lascívia
quando te beijo.
Ou o ritmo que aceleras no meu peito
quando me falas de ti,
quando me contas histórias de quem és.

Nesse dia, vi-te pela primeira vez.
E senti, sem ainda saber, o sangue a correr.
No ar um perfume que nem cheirei.
Na verdade, era o dia normal.
Era a semana repetida,
em tons de pastel,
a horas diferentes e no mesmo lugar.

Nesse dia, sorriste um sorriso de espontaneidade.
Quando as dores e as mágoas ainda não o haviam manchado,
Quando a felicidade ainda não o havia aprofundado.

Nesse dia, tudo foi natural e mal pensado.
Nesse dia em que eu, acordado,
Vivi o sonho encantado,
De te viver outra vez.

05 outubro 2009

Hmmm.... parece que ando a meter água!...

...porque esta menina ("Esposa, mãe, professora universitária... e cunhada!") decidiu dar-me um prémio e chamar-me feio... (houve naturalmente alguns "entretantos" entretanto)...

Assim tardiamente e a más horas, aqui fica este premiozinho, vulgo selo, vulgo, "ui, ui, espero que depois deste tempo todo, não tenha passado de prazo..."...

:-)


03 outubro 2009

Princípio de romance

Um murmurar distante, quase por começar.
O odor a nada que principia.
Cores e tons e nuances que ainda nem se reconhecem.
No pueril momento em que o amanhecer se inicia.
É ainda um segredo, mal se pressente.
Mas em breve o ar ruge, o odor impesta.
Logo as cores são berrantes, logo o amor explode.
E no filão dourado, perdido, dissolvido na rasteira corrente
A pepita brilha e incendeia, sem que ainda a vejam.
E quando a peneira surge.
É ouro...
É o Ouro!

13 setembro 2009

31 agosto 2009

Cresce a areia na praia,
À medida que os carros torrados da espera
Se enchem de forças químicas e motoras.
E o entusiasmo veraneante,
Abandona a passo ventoso a calma dourada.
Um sol a vermelhar-se enquanto se achega ao mar,
As ondas indiferentes revoltando, rebolando, ressaltando.
E à medida que a paisagem se despe de gente,
Sobra no ar uma omnipresente energia de tudo
De beleza, de força, de Natureza.
A espuma branca que ensurdece como um abraço,
Todo aquele mar, enorme, perdido e entornado por ali fora,
Mal polvilhado de meia dúzia de surfistas.
Resta já só a areia que amacia os meus passos,
A distância, a imensidão infinita.
Infinitos grãos de areia, infinito céu pela galáxia,
Infinito mar até ao horizonte.
E o sol que se aninhou num algodão doce cor-de-rosa
Sumiu-se, levou as gentes, deixou o mar.
E no respeito do momento, do silêncio,
Do mais belo espectáculo do Mundo - sem tigres amestrados,
Restam emocionados os surfistas.
Os únicos que se permitem continuar a ouvir
A divina melodia do pôr-do-sol.

Ontem...

passei mais de uma hora (ou à volta disso) quase parado, num daqueles engarrafamentos que dá para sair e perguntar ao castigado de trás o que é que se passa. Tudo para fazer um daqueles percusos de vinte minutos. Nada de especial... O busílis da coisa, é que todo esse tempo foi passado na 29 de Agosto.
Eu sei que isto tem um significado profundo qualquer. Só ainda não percebi qual.

06 agosto 2009

A Science publicou um estudo português



Parece que (até porque isto dos estudos, é como os computadores, cada dois meses sai um novo), a sujeição do cérebro ao stress crónico provoca alterações neurológicas que desenvolvem áreas do cérebro responsáveis por comportamentos rotineiros e habituais e diminuiem as responsáveis pela capacidade de adaptação a novas situações.

Muito giro. Assim, numa (muito) livre adaptação psicosociológica (palavra tão interessante quanto incompreensível que descobri hoje), tal estudo pode ser facilmente comprovável: em geral as pessoas sujeitas a grandes níveis de stress acabam por deixa passar a vida em actividades habituais (trabalhar, pagar a renda, ir a correr para casa, fingir que dormem duas horas) e esquecem-se do resto (e resto aqui, é obviamente o “resto” que fica depois de bem peneirar a terra lamacenta do filão). São incapazes de analisar as alterações que a sua vida vai sofrendo (envelhecem, os filhos crescem, os sonhos escapam-se). Entretanto tiram férias ou reformam-se e têm ataques cardíacos.

24 julho 2009

Parece que os cientistas descobriram que... (agora a cores...)

os Humanos brilham no escuro...

Os cientistas têm tendência para descobrir o óbvio... É o Damásio a dizer que as emoçoes influenciam as decisões, e agora estes japoneses... A mim, sempre me disseram que sou brilhante...


Divinais dores de dentes, prazeres machista e a imortalidade

Na eterna disputa entre criação e evolução, um dos argumentos que me impressiona é o da funcionalidade. Existem grandes diferenças entre planear um homem (e também uma mulher) e simplesmente deixar que eles aconteçam e evoluam. Uma dessas diferenças está nos dentes. Se eu tivesse inventado os dentes humanos, eles seriam como os dos cães que não ganham cáries. Ou como os dos tubarões, que nunca acabam. Já os meus são tipicamente amarelos e com uma manutenção dispendiosa em tempo e consultas a senhores sadicamente simpáticos de batas inumanamente esbranquiçadas.

Se porém imaginarmos que os dentes tinham como função mastigar por 20 ou 30 anos (esperança média de vida do “humano natural”, sem medicações, higiene ou hidratos de carbono refinados), os pedacitos de cálcio com flúor nas pontas até têm algum sentido. Até parecem bastante adequados à função.

Mais difícil de explicar, embora ainda dentro do geneticamente razoável, está o facto de ser muito mais fácil para os homens terem prazer no coito. E mais difícil para as mulheres. Assim como o facto de nenhum dos dois durar mais de um cento de anos. Imaginem que o Einstein ou o Churchil tinham durado meio milénio. Onde estariam?... Claro que aquilo que à partida não faz muito sentido, visto sobre uma perspectiva evolucionista, tem outras cores. Perdemos os telómeros dos genes e envelhecemos porque não há evolução durante a vida, só na reprodução. A questão do prazer parece ainda mal resolvida.

E será que isto prova que Deus não existe? Claro que não… apenas nos diz que a evolução tem uma explicação bastante razoável para coisas aparentemente muito estranhas.

21 julho 2009

A nós!
A nós!
O amor,
A paz!
Vinde a nós a serenidade.
O sorriso matinal de viver
E num momento esquecer,
Correr, correr.
Transporto no peito um condão
De ver neste Mundo de humanos
A breve e adocicada centelha
Que, como Midas, tudo doura,
Tudo transforma em divino.
Mas em nome de outro deus
Tudo benzo de bendito,
Tudo o que é nada e inexiste,
Do alcatrão à novela,
Deste cigarro àquele telefone sem fios.
Sou um pecador.
Tanto como um vivedor.
Mas só nos teus olhos
Sou o profeta.
Só em ti
Sou o que torna a escuridão em luz,
O sangue vermelho em paixão.

20 julho 2009

Por vezes

Qual benigno carcereiro, professor matreiro
Surpreendo em mim laivos de tímida felicidade.
Subtis sorrisos de uma sossegada serenidade,
Sem loucuras, sem monumentalidade, sem flashes.
Apenas um por do sol que me perturba cada vez mais,
De verdade.
Apenas um aproveitar o sol de dia e a escuridão de noite.
A beleza, onde a encontro, a alegria onde a descubro.
Rir.
Dançar.
Conversar.
E ser feliz. 

20 maio 2009

Ruas platónicas. À meia luz.
Com suas montras resplandecentes
encaixilhadas a negro glossé.
E este odor a éden que me seduz,
Da felicidade sonhada e desejada… não sentes?
A redenção final não se desenterrou da Sé...
E o tempo deixa de acontecer, é espectador
Enquanto me perco num puzzle de 5000 pensamentos
Sonhos, ilusões, planos, ideis, sugestões, histórias,
E é tudo verdade, sentido com o mesmo ardor
Desta mesa.
Mais tarde,
Ao sabor melancólico da realidade
Procuro, em agonia, o mapa desta louca cidade
Onde não me encontro.
Os passos são curtos, são moídos.
Às vezes, era preciso mais um toque de sorte.

28 abril 2009

Poesia de viagem

Há tardes assim.
Em que o caminho não se cruza com o destino,
E temos de encostar na berma da estrada,
E pedir guarida no motel da vida;
Receber um quarto com piolhos e baratas,
Mas não faz mal.
Porque é só por esta noite.

22 março 2009

Monstros e demónios,
De tamanho “L” e “XL”
Cores maléficas,
E mesmo maus,
Piores que as cobras,
(Se as cobras fossem más).
E estão aqui comigo
Fogem para acolá comigo
E passam a noite a meu lado,
Velando meus pesadelos.
São tenebrosos e companheiros
Viscerais e gigantes.
São tão meus como estes meus dedos.
E só me deixarão em paz
Quando eu finalmente
Os abraçar com quanta força tenho
E perceber afinal,
Que sou eu;
São tão grandes como eu,
Serão tão maus como eu.
E então,
Eu e meus medos
Seremos eu.

02 março 2009

Como dizer "já não te amo"

Foi naquela tarde, ao fim do dia
Sem distinta pompa, sem cortesia,
Que ao me rever te não descobri,
Vazio o espaço, em mim p’ra ti.
E logo absorto, descrente depois,
Que hesito, nego; desminto (ou minto)
E de coração em punho como os heróis
Juro-te o resgate do que já não sinto…
Como te perdeste em mim, minha deusa?
Como te dizer “já não te amo”?

Oh! Tanta canção, tanto poema,
Para um verbo e um pronome,
E esta chaga órfã, sem nome,
Que me persegue com dor extrema.
Treme-me o punho em sangue odiado
Que sobre ti pende e me trespassa
Este não sentir e sofrer culpado,
Traidor, desleal, vil e sem raça.
E é longo o padecer que não se explica.
Curta a frase, fria; quase científica.
“Já não te amo”.

07 fevereiro 2009

Nandiazar

A Ignorância Humana sempre foi um dos grandes argumentos do divino. Na idade média, o magnetismo; hoje em dia, curas milagrosas de doenças ex-fatais. A ciência vem, paulatina e lentamente, cerceando tais opções, embora as grandes questões continuem insondáveis - na verdade, mesmo muitas das pequenas...


De entre as questões que parecem permanecer imunes ao charme da compreensão humana, a das origens é das mais interessantes. A origem do Universo, a origem da Vida, a origem da Compreensão. A religião cristã encontra muitas vezes aí um reduto, face às derrotas que foi sofrendo, com o heliocentrismo, a teoria da evolução das espécies (em bom rigor, também ganhou argumentos, quando a mesma ciência prova que toda a vida terrestre é baseada em ADN, isto é, que dos sapos aos padres, temos todos a mesma base).


É até algo perturbador assumir a impossibilidade (actual?) de compreender certos fenómenos. Supostamente, no começo do Universo, não havia nada. E depois deu-se o Big Bang. Como conceber este nada? Esta anti-existência, situação abstracta e desconfortável? De onde veio e como? Reparem que, ao contrário de qualquer resposta, a dúvida é permanente - e permanece imperturbável, face a qualquer verdade ou mentira: somos resultado de uma experiência que correu mal num acelerador de partículas de uma outra civilização. E quem a criou? Qual a sua origem?... E se não ouve princípio? O Universo sempre existiu, não há momento inicial. Muito bem, se não teve um início, de onde veio, como apareceu?...

O nada é de facto perturbador para a mente. Conseguimos enquadrá-lo e dar-lhe um nome, mas concebê-lo? Imaginá-lo? Se o Universo é tudo o que existe, o que está por fora? Nada! E se alguém lá for, o que lhe acontece? Não pode lá ir! E o que se vê? Nada!... Será a compreensão humana capaz de absorver estes fenómenos tão incomparáveis à realidade que desde sempre a acompanhou? Será o nada o irónico limite do conhecimento humano?...

O início da vida é igualmente rebuscado, pois que o famoso caldo inicial continua esquivo das caçarolas de laboratórios espalhados por esse planeta fora. A centelha divina tem aqui espaço para crescer. A ciência talvez não.


Por muita ciência que exista hoje, ainda não conseguimos explicar ao coelho o que é o prado (ou sequer a caçarola). Embora muito de nós depositem uma fé inabalável em conceitos como "inteligência" e "lógica", a verdade é que temos uma grande falta de termos de comparação ("outras inteligências", "outras lógicas"). Como saber se, esta nossa inteligência é realmente boa? Como saber do que é capaz?... Não é inimaginável que, por muito sofisticado que seja o cérebro, sendo apenas o resultado do caos e da evolução (e não um objectivo divino), não tenha capacidade para entender tudo aquilo que gostaríamos. Não é inimaginável que, tal como o coelho não pode pensar, os humanos ainda que pensantes, não consigam realizar essa tarefa tão mais satisfatória e omnisciente que é nandiazar. 

02 fevereiro 2009

À terceira é de vez?...

Esta menina , é uma re-reincidente!!!!
:-)





Agradecimentos com muito atraso, como vai sendo praxe.
(E redistribuições, como sempre, encralacadas. Os meus prémitos estão ali diariamente alinhados do lado esquerdo :-) )

01 fevereiro 2009

Leve, levezinho

Passo ante passo
Se faz o caminho.
Momento a momento,
Balançando o sossego,
Despindo o medo.
No meio da pista,
O segredo se conta,
Sussurrando aos gritos,
Partilhando o infinito.
Sou eu, sou eu.
Estou aqui, cheguei,
Anda ver, vamos dançar,
Vamos os dois festejar!
E a noite passa e não te largo,
É um sorriso irritante,
É o meu abraço.
Mais tarde amanhece,
O Sol aparece,
(estava tudo combinando).
Pomos os dois a mesa,
Lavamos a loiça.
(Quem sabe?
Talvez alguém trabalhe.)
E não há cupidos e setas,
Poemas nem borboletas.
Há eu e tu e tu comigo,
Há beijos, e este suave viver,
Todos os dias são nossos,
Somos os dois nós.
Viver e amar,
Amar e viver.
A alegria de perceber,
Que o Evereste foi bonito de subir,
Mas hoje é no sopé,
Que plantámos nossa casinha.
Aqui e ali.
Amar e ser feliz.

23 janeiro 2009

O dia do macaco e a "Explicação Universal"

Um dia, o macaco apercebeu-se que era macaco. O dia da tomada de consciência superou em importância qualquer tomada de posse presidencial da super-potência em voga na cultura contemporânea. A partir daqui o macaco não parou de progredir. Apercebeu-se que ele existia e era diferente dos outros macacos. Que os outros macacos também existiam. Da macaca! E claro, apercebeu-se que estava vivo. O que foi naturalmente motivo de festa.

A festa da vida foi a grande alegria da consciência. Infelizmente, traria também alguns dissabores. No final do dia, no rescaldo da excitação, um dos macacos tropeçou e caiu em cima de uma pedra inconsciente. O golpe foi fundo e os macacos souberam que também morriam.


As primeiros tribos de macacos conscientes trouxeram em si o veneno que os extinguiria - e que hoje chamamos doença do novo milénio, "depressão". No dealbar da consciência, o macaco deprimia a cada contingência, ao ser confrontado com a sua mortalidade, a sua natureza precária, a sua fragilidade. E para quê? Como perceber estes sentimentos enormes e avassaladores? Como ficar contente ao nascer do sol, se o macaco da tribo rival decidir experimentar o novo osso na nossa cabeça? Ou como celebrar o churrasco, se o pitéu tiver morrido de um envenenamento tóxico? Porque o macaco de então não conhecia a esperança. Olhando para o que via, ele não encontrava um sentido. Vivia, morria. Qual o significado? Quanto vale uma vida? Uma pedra que se desfaz? Uma árvore que seca? E depois da consciência, veio a depressão. E a morte.


Por esses dias, o proto ser humano foi iluminado com a capacidade de explicar. Ele passou a ser capaz de encontrar consequências. De saber que a um acto se segue uma reacção. E assim tudo estava justificado, explicado. E o que a ignorância escondesse seria uma acção do "Desconhecido", do "Outro", do "Grande". A explicação universal para todo o desconhecido havia nascido. E com ela, o primeiro anti-depressivo, tomado, obviamente, por antecipação. Antes dos sintomas. E quando o proto-humano tomou consciência de si, ao contrário do macaco deprimido, não desistiu à primeira morte. Ele não desesperou à primeira derrota. Porque havia um sentido. O proto-humano tinha um propósito. O proto-humano era capaz de superar as desvantagens da consciência e isso levá-lo-ia ao domínio do planeta. Ele tinha consigo a "explicação universal" de tudo, inclusivamente de si mesmo.

20 janeiro 2009

Freud explica:

Secretária visivelmente surpreendida por encontrar um advogado tão cedo no escritório:
- Oh, Will! You're hot early!... I mean, you're here hansom!... I'm sorry!!! Would you like some sex in your coffee?...

("wasted", on gay Will Truman (Eric McCormack), by an anonimous secretary,
Will & Grace, emitido em 2009)

13 janeiro 2009

Poema

Era uma vez um poema,
De letras negras luzidias
Amantes, amigas e artistas
Coisas vertidas sem margens,
Momentos sentidos, não descritos.


E um dia surgiu, no seu unicórnio branco,
O escritor.
Munido da pena ancestral,
Esculpida dos mais puros materiais,
Escavada dos mais ricos sentimentos.
E, de arma em riste, sobre o papel,
O herói das palavras
Ser inspirado,
Cravou na folha os versos,
Rimou na vida os actos.


E foram felizes para sempre.

12 janeiro 2009

A novidade Humana

As questões simples são, tantas vezes, muito mais complexas do que aparentam. Duas dessas questões, aparentemente simples que sempre me inquietaram são a distinção abstracta entre os humanos e os outros seres vivos e as verdadeiras invenções humanas.
Começando pela última, cabe fazer a distinção (terminológica, explicativa...) entre descoberta científica e invenção. A descoberta consiste em conseguir utilizar algum conhecimento que já existem na Natureza. Assim, por exemplo, o princípio por trás dos computadores (impulsos eléctricos que transportam informação) já se encontra presente (e em estado muito mais avançado) nos neurónios humanos. Fazemos música, tal como tantos outros animais. Desporto com fins recreativos, tal como as crias fazem com fins educacionais (admito que as intenções sejam dissonantes). Contudo, à medida que aprofundamos os conhecimentos deste nosso planeta, apercebemo-nos que a Natureza já tem praticamente tudo patenteado: a pecuária é praticada pelas formigas; há animais que sabem usar instrumentos; os símios conseguem transmitir conhecimentos adquiridos à próxima geração. Será que existe alguma coisa realmente nova? Penso que o único conceito verdadeiramente artificial que concebemos foi o de extra-terrestre - ou de viagem espacial. Tudo o resto é apenas descoberto - basta olhar em volta. 
A diferença face aos "seres irracionais" é outra questão interessante - desta feita, porém, com mais pontos de partida. Segundo a ciência, as grandes diferenças não serão qualitativas, mas quantitavas e prendem-se essencialmente com a linguagem e com a cooperação. Em qualquer dos casos, estas capacidades encontram-se muito mais desenvolvidas nos humanos que em qualquer outro animal. Outros animais têm linguagem e cooperam, mas a um nível incomparavelmente mais simples. Presume-se igualmente que o Humano seja o único ser vivo com consciência. 

A "teoria do Nando"

A teoria a que humildemente (diria até altruisticamente) decidi emprestar o epíteto de nandíssima, é deveras muito simples - como anunciado. As complicações virão logo depois.
Parece que houve um Big Bang. O Universo comprimido expandiu-se. Formaram-se os Planetas. A Terra arrefeceu e surgiu o caldo primordial. A vida deixou os oceanos e encheu o planeta. Os dinossauros extinguiram-se. Em determinado momento os macacos ganharam consciência - o maior salto evolucionário da História. E neste momento, o domínio do Homo Sapiens estende-se a todos os meios e ambientes.

01 janeiro 2009

O Pai Natal e o Totoloto

Eu acredito no Pai Natal. Acredito num velhinho (velhinho já desde o início do século passado) que atravessa o Mundo no seu trenó puxado por renas voadores e, com um sorriso ligeiramente barrigudo, distribui prendas a todas as crianças da Terra - ele sabe quem se portou bem! É evidente que, com quase trinta anos, tenho bem consciência que a história do Pai Natal é um pouco alegórica, um pouco metafórica. Mas eu acredito. Como acredito nas ondas hertzianas que a TMN vende [estou a preparar um contrato de "product placement"].

Acredito nas barbas brancas serenas, do velhote bondoso; acredito nos duendes trabalhadores e incansáveis; acredito na morada secreta, que ninguém pode alcançar; acredito nas descidas pelos esconderijos das chaminés... Porque reparem: há imensos fusos horários, atravessar o Mundo numa noite, não é assim tão difícil (principalmente se for a voar, como os aviões, os pardais, os helicópteros, as libelinhas, os asa-deltas..). E se escreverem ao Pai Natal (e basta endereçar assim, tal e qual, eu já experimentei!), ele recebe mesmo! E responde!!!

E podem argumentar que há imensos Pais Natais em todos os Centros Comerciais... Mas no cinema também aparecem imensas grávidas que nunca o estiveram! E isso não significa que não existam mulheres [e homem] grávidas. Lá por alguns pais e tios se mascararem fora do Carnaval, isso não prova uma mentira, apenas reforça a minha crença: poderia uma mentira estar tão arreigada nos lares humanos, se não houvesse um fundo de verdade?... E as crianças, na sua máxima pureza, são as que mais perto da verdade podem estar. Elas acreditam naturalmente... Porque as convenceriam os pais de uma mentira? Eu respeito quem não acredita. Mas pergunto-lhes sempre: «e no amor e na sede, também não acredita?»...

Já no Totoloto não acredito. Nunca me saiu, e eu porto-me sempre bem. Tenho prendas todos os Natais, mas nunca milhões ao fim-de-semana. E não conheço ninguém a quem tenha saído o primeiro prémio. Só vi uma vez na televisão, logo a seguir ao Hans Solo e o Luke destruírem a Estrela da Morte [para quem não seguiu, foi uma dupla trilogia...]. Não. O Totoloto, para mim, não existe.